Imagine que, dos seis principais rios deste planeta, restasse apenas uma gota de cada um. Esta é o ponto de partida da artista Yone di Alerigi em sua montagem Gota Sagrada, premiada como melhor instalação da Bienal de Arte Contemporânea de Florença, na Itália, realizada no começo de dezembro. A Sabesp, através das leis de incentivo à cultura, apoiou a realização do projeto da escultora.
“Para mim, foi uma surpresa muito grande. Só de ter sido convidada para esta Bienal, já tinha ficado muito feliz”, conta Yone. Realizada no começo de dezembro, a mostra trouxe cerca de 2.600 obras de arte. Destas, apenas 5 receberam o troféu Lorenzo Il Magnifico. “Quem conhece o mundo da arte sabe a importância deste prêmio. Lorenzo de Medici foi quem patrocinou grandes pintores, como Da Vinci e Rafael. Tudo de arte começou em Florença, e receber um prêmio como este é uma honra. Foi uma Bienal bastante forte, com trabalhos de muita qualidade artística”, explica.
Na hora do anúncio dos vencedores, uma surpresa: “Tinha uma torcida no fundo da sala, com muitos europeus, que pediam pela vitória do Gota Sagrada. Eu fiquei pasma”, conta Yone. “Quando estávamos desmontando tudo, membros do júri vieram nos parabenizar e contaram que a escolha foi feita por unanimidade”. A equipe de organização da Bienal de Florença também enviou uma carta a Sabesp e à Secretaria de Estado da Cultura, agradecendo o patrocínio que permitiu a realização do projeto.
“Este troféu é meu, é da Sabesp, é de todos que me ajudaram”. Para Yone, o apoio da empresa foi fundamental para que a viagem pudesse ser realizada. “Sendo a Sabesp, para mim foi especial, porque tem tudo a ver com o meu projeto. Vocês cuidam da água, tratam a água que vamos beber, é um trabalho muito importante. Tenho orgulho de ser paulista e de ter uma empresa neste Estado como a Sabesp”. 
Em 2010, este trabalho será exposto no Brasil. Os locais e datas ainda estão sendo definidos. A expectativa é que o primeiro Estado a receber a obra seja São Paulo, ainda no primeiro semestre.
A Terra em 2150
A instalação foi montada no formato de um túnel. Quem entrar nele encontra referências do que a escultora imagina pode ser a Terra em 2150: um mundo onde o verde é raro e a água está praticamente extinta e se tornou, de fato, um líquido sagrado. Para retratar esta visão, cada rio é representado por uma escultura de sua última gota. E, ao lado, um sistema eletrônico permite acesso às referências históricas dos rios extintos, seus povos e países. “Há também um fundo musical e os sons da natureza característicos de cada rio. Do rio Amazonas, por exemplo, trouxemos o som de pássaros que vivem nas proximidades”, detalha Yone.
A artista avalia que sua instalação teve uma visitação maciça. “Foram mais de 2.000 visitantes que interagiram com a obra, um público formado por experts, estudantes e curiosos. Procurei colocar o máximo de informações, para que a pessoa conheça a importância de cada rio, o que significa para seu país e sua realidade econômica, social. Se o rio não estiver lá, as pessoas [que moram próximas a ele] também não estarão”.
Como parte de sua pesquisa para este trabalho, a escultora acompanhou um fórum mundial sobre a água, no Japão, e o relatório oficial do Programa Mundial de Água da Unesco sobre o tema. Segundo este documento, não existe água em condições higiênicas e sanitárias adequadas para 40% da população mundial, e 2,7 bilhões de pessoas deverão sofrer com a falta do líquido já em 2025.
Yone cria esculturas em materiais como bronze, alumínio, pedra e aço inox. A artista já participou de diversos concursos e mostras internacionais. Em São Paulo, uma obra sua está instalada nos jardins da Assembléia Legislativa, e outra na Avenida Professor Fonseca Rodrigues, no Alto de Pinheiros.
Sede de cultura: A Sabesp não abastece as pessoas apenas com água, mas também com cultura. Por isso, patrocina diversas iniciativas nas áreas de literatura, artes plásticas, musica, dança, teatro e cinema, entre outras. A empresa procura apoiar projetos que enfatizem a consciência ambiental, o desenvolvimento sustentado e a memória da sociedade.
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