Faixa de adutora servirá como área de esporte, lazer e educação ambiental

Numa região sem opções de esporte, lazer e áreas verdes, que é marcada pelo crescimento desordenado e pela falta de segurança; o Parque da Integração - que será construído sobre a faixa onde estão aterradas as tubulações da adutora Rio Claro - chega para levar melhores condições de vida à população que reside entre os bairros de Sapopemba e São Mateus. Após sua conclusão, várias ruas serão interligadas entre os bairros São Lucas e Jardim Santa Adélia, facilitando, assim, as atividades do cotidiano dos moradores da região que poderão, desta forma, utilizar a infra-estrutura oferecida pelo parque para caminhar até o trabalho ou buscar um meio de locomoção mais apropriado; fazer compras; passear ou, simplesmente, se exercitar. Tudo isso com conforto e segurança.
Histórico
A idéia de se construir um parque na região vem desde 1988, quando a população começou a debater propostas para o melhor aproveitamento da faixa da adutora. Em 2000, quando a Secretaria de Governo e Gestão Estratégica do Governo de São Paulo realizava estudos sobre áreas com graves problemas sociais, foi criado o Programa de Ações Integradas com a missão de promover diversas ações que resultassem na melhoria da vida da população das regiões mais afetadas, principalmente pela violência. Na região de Sapopemba, na zona Leste, foi construído o hospital e a Casa da Juventude, quando, também, foi determinada a construção de um parque sobre a faixa da adutora Rio Claro.
Formatação da idéia
Após várias reuniões junto às comunidades, foram identificados os principais anseios da população da região e, ainda, traçada a estratégia de um plano que atenderia boa parte dessas necessidades apontadas.
A partir disso, foi formatado o conceito para estruturação de um parque linear, que teria uma ciclovia e um caminho para pedestres por toda sua extensão, ligando ruas, bairros e proporcionando mais opções de lazer e esportes para a região. Outro aspecto levado em consideração foi de se adotar no projeto um tratamento paisagístico que traria mais beleza à localidade.
Dimensões do Projeto
A adutora Rio Claro possui uma extensão total de 77 quilômetros, sendo que 22 estão localizados dentro da cidade de São Paulo. O projeto envolverá oito quilômetros entre o trecho do Largo São Mateus e da Praça Virgílio Lúcio (Vila Heloisa).
Na maior parte da extensão do parque, a largura da faixa da adutora compreende cerca de 30 metros. Porém, em vários trechos existem áreas vizinhas que servirão para aumentar essas dimensões permitindo a colocação de vários equipamentos, como playgrounds, quadras esportivas, campos de futebol, entre outras opções que serão definidas pelas comunidades da região. Em outros dois pontos, a faixa da adutora cruza com a linha de transmissão de alta tensão da AES Eletropaulo e em outra parte uma área de servidão de um oleoduto da Petrobrás. Esses dois locais apresentam uma topografia satisfatória para a colocação de equipamentos e praça de eventos.
Não há registros no mundo de áreas destinadas para lazer e esporte em regiões urbanas altamente adensadas e que apresentam população de baixa renda com estas dimensões. Segundo o relatório apresentado pela Escola da Cidade (Associação de Ensino de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo - AEAUSP), empresa responsável para desenvolver o projeto, os registros de maiores parques lineares no mundo pertencem ao Caminho Verde do Rio Platte - Denver (EUA), com 16 quilômetros; Bacia Hidrográfica do Rio Don - Toronto (Canadá) - com oito quilômetros; reurbanização da Baía de Salermo (Itália) - com dois quilômetros. Contudo, nenhum desses parques foi construído em áreas com essas características.
Para se ter uma idéia sobre a amplitude deste empreendimento, depois de pronto o parque que será construído sobre a adutora Rio Claro será o décimo mai or da cidade de São Paulo, com 210 mil m², ficando atrás, em metros quadrados, apenas, dos parques: Ecológico do Tietê (9,29 milhões), Anhanguera (8,99 milhões), Estado - Fontes do Ipiranga - (5,42 milhões), Jaraguá (4,88 milhões), Horto Florestal (1,74 milhão), Ibirapuera (1,58 milhão), Carmo (1,54 milhão), Villa Lobos (717 mil) e Rodeio (630 mil).
Visão de Futuro
O Projeto pretende contribuir para o combate à violência e a exclusão social no Estado de São Paulo, por meio de ações dos poderes públicos e da sociedade civil, ou seja, iniciativa privada, Organizações Não-Governamentais (ONGs), órgãos representativos de classe, sindicatos, igrejas e a comunidades em geral.
Uma das principais propostas é de transformar o parque em um pólo que traga conceitos de educação ambiental e de cidadania, para os usuários. As pessoas, independentemente da idade, poderão participar dos programas e atividades; com atenção dispensada às crianças das escolas da região.
O saneamento básico será um ponto bastante explorado com referência à educação ambiental pretendida, visto que o parque utilizará vários programas já desenvolvidos pela Sabesp e que serão remodelados para o parque, como, por exemplo, o Programa de Utilização Racional da Água (PURA), que será adaptado para que o usuário tenha a consciência de que não basta apenas economizar água quando as represas estão vazias.
A Sabesp estará presente, também, no momento em que reproduzirá seus programas educacionais para a despoluição das bacias dos córregos vizinhos à região, como o córrego dos Machados, já que o sucesso do projeto Tietê não depende apenas das obras de infra-estrutura, é fundamental que estas iniciativas que intensificam os conceitos de educação ambiental. Aspectos que vão, desde as necessidades da população, em especial das áreas mais carentes, a conectar as tubulações internas de suas residências às redes de esgoto até a compreensão de que o lixo jogado na rua vai para os córregos e rios, resultando em mais poluição e enchentes.
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