Programa de Reciclagem de Óleo de Fritura

O Programa de Reciclagem de Óleo de Fritura da Sabesp é um programa para fomentar o aproveitamento do óleo de fritura e consolidar as várias parcerias da Sabesp para a disseminação deste trabalho.
Em 18 de julho de 2007, a Sabesp, através da Unidade de Negócios Metropolitana Centro firmou apoio à iniciativa para coleta de óleo de fritura organizada pela SAMORCC - Sociedade de Amigos de Bairro de Cerqueira Cesar - em parceria com a ONG Trevo, especializada na coleta/beneficiamento de óleo de fritura e com tradição neste setor por mais de 20 anos.
A campanha se estende hoje pelos bairros da região dos Jardins na capital paulista, com adesão crescente, sendo mais de 1000 condomínios. No quadrilátero existem cerca de 11,5 mil ligações de água e esgotos. O óleo é descartado em bombona plástica de 50 litros fornecida pela ONG e coletada quando cheia. A Sabesp circulou mensagem nas contas de água dos moradores da região, convidando-os a colaborar com a coleta de óleo. Este projeto foi um dos apresentados na 2ª Audiência de Sustentabilidade, organizada pela Sabesp, em dezembro de 2007.
Em decorrência do interesse crescente, relevância da questão para o meio ambiente preservação das redes coletoras desobstruídas, a Sabesp decidiu apoiar mais propostas, dentre elas as concebidas pelas Prefeituras de Osasco e de Santos.
Considerou-se também apoio à construção de um protótipo de carrinho para catadores, mais ergonômico e seguro, incorporando um reservatório para óleo de fritura. O tema está sendo discutido com o Fórum Estadual Lixo e Cidadania.
A Sabesp também acompanha com interesse iniciativas como a criação da ACRO – Associação de Coletores de Óleo de Fritura, 1ª do gênero a ser formada.
Em novembro/2008 a Comunicação da Sabesp criou uma marca de identidade para o programa com o intuito de facilitar sua divulgação. O “Gotucho”, um dos personagens do “Clubinho Sabesp”, foi escolhido como “garoto-propaganda”, por ser simpático ao público infantil e poder se usar o boneco (pessoa fantasiada) em eventos de lançamento de programas e outras ações.
Logística para destinação do óleo:
O ideal é utilizar empresas e ONG’s especializadas na coleta. Algumas delas fornecem cartazes, bombonas de 50 litros identificadas para estocagem e mantêm um esquema de retirada programada ou a chamado. Em geral pagam por litro fornecido, dependendo do volume e distância. Também é oportuno conjugar com a questão social e de geração de renda e doar o óleo para cooperativas de catadores. Poucas já ingressaram na reciclagem do óleo de fritura e um contato útil é o Fórum Estadual Lixo e Cidadania, que congrega várias cooperativas.
Há ainda a opção de direcionar para os PEV’s – postos de entrega voluntária - de algumas lojas de redes de supermercado como o Pão de Açúcar e Extra.
Destinação:
O óleo de fritura pode ser vendido para fabricantes de sabão, biodiesel, tintas a óleo, massa de vidraceiro entre outros usos. Também é possível fabricar sabão caseiro usando-se soda cáustica, economizando-se na compra do produto e com a vantagem ecológica de ser mais prontamente biodegradável que sabões em pó e não conter fósforo, elemento que tem efeito na eutrofização dos corpos d’ água. Porém isto requer muito cuidado, pois envolve os riscos na manipulação de produtos químicos e num processo a quente. Ou seja, no mínimo deve se usar óculos de segurança, aventa e luvas impermeáveis e afastar crianças. Cabe mencionar que toda comercialização de sabão e produtos de limpeza requer registro na ANVISA.
Dúvidas freqüentes:
1) Quanto tempo o óleo de cozinha leva para se degradar na natureza?
Isto depende das condições envolvendo presença de bactérias, temperatura, oxigênio dissolvido etc. Em meio aquático e aerado isto é mais rápido.
2) Quais são os principais materiais lançados nas redes de esgoto que acabam obstruindo os sistemas?
Há uma variedade grande, como absorventes, preservativos, pontas de cigarro e outros resíduos, indevidamente jogados nas privadas, que não devem servir como lixeiras. Nas Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs), os mais predominantes na etapa de remoção são preservativos, fibras (cabelos, tecido, fio dental etc.) e partes de corpos de ratos. Usando-se gradeamento mais fino retém-se grande quantidade também de pontas de cigarro. Estes resíduos são aglutinados com o óleo de fritura oxidado, formando um bloco rígido, que torna difícil a desobstrução.
3) Existe alguma estimativa do efeito do PROL na desobstrução da rede?
A Sabesp atua por unidades de negócio. Na Metropolitana Centro, onde já temos a experiência do PROL em andamento deste julho de 2007, foi possivel compilar dados sobre a variação no nº de desobstruções de coletores em 12 meses antes e após o lançamento, verificando-se uma redução de 5 % nos bairros envolvidos (de 708 para 673 intervenções em coletores), contra um aumento de 2 % na unidade como um todo, evidenciando que há um efeito positivo. Nas desobstruções domiciliares não se notou variação significativa. Cabe mencionar que o problema é mais grave em quarteirões onde há muitos bares e restaurantes, onde há maior consumo de óleo.
4) Ao buscarmos referência sobre esse assunto na Internet, é facilmente encontrada a informação que para um litro de óleo despejado nos corpos hídricos, um milhão de litros de água é contaminado. Essa informação procede? Caso positivo, qual a sua fonte?
A Sabesp desconhece a fonte e entendemos a informação carece de base científica. Já vimos que em alguns casos se atribui indevidamente como referência nosso portal na Internet. Embora qualquer produto estranho ao meio ambiente contamine os corpos d’água como um todo, o conceito de poluição é objeto de definição na legislação que estabelece limites de lançamento. Para óleos de graxas de origem vegetal e animal, a legislação federal (Res. CONAMA 357/05 - art. 34) estabelece o limite de 50 mg/l e a partir deste valor se obtém que o óleo de fritura polui mais de 25000 litros de água, o que aliás já constitui um grande volume. Caso se adotem outros critérios como a DBO5 máxima de 60 mg/l poderão ser obtidos outros números. Neste caso a questão não é simples, pois a DBO5 depende do tipo de óleo e contaminantes (restos de alimentos). O mais importante na verdade não é estimar quantos litros são afetados, mas sim entender que o óleo é um produto poluente e que pode ser reciclado.
5) O óleo de fritura traz dificuldades ao tratamento de esgotos?
Não há problemas para o tratamento, pois a diluição é muito grande e as estações de tratamento estão dimensionadas para receber diversas cargas poluentes. O efeito é sobre a rede coletora, sobretudo em áreas em que há muitos restaurantes e bares.
Por outro lado, há produtos refratários ao tratamento como é o caso do fósforo oriundo dos detergentes e sabões em pó que contém fosfatos. A parcela que não é removida contribui para o crescimento de algas e formação de espumas. Assim é importante que todos se conscientizem e façam a sua parte, atuando na fonte e fazendo a opção por produtos mais biodegradáveis e isentos de fosfatos, já disponíveis no mercado. No futuro, a exemplo de países desenvolvidos, espera-se que o uso de fosfatos em detergentes seja proibido.
7) Qual a maior dificuldade encontrada para sensibilizar o usuário sobre sua responsabilidade na manutenção dos sistemas de água e de esgoto?
O fato de ser algo que uma vez descartado segue por subterrâneos das cidades impede que as pessoas tenham uma noção clara do problema. Por isto a Sabesp realiza campanhas na mídia, palestras em escolas, disponibiliza informações na Internet, promove visitas às ETEs e ao Espaço Sabesp na sede, dentre outras formas de conscientização. Neste sentido, nos cartazes editados para apoiar os programas de coleta de óleo de fritura foram inseridas fotos de redes limpas e obstruídas.
É importante que todos saibam que para a atitude ambientalmente responsável é não despejar óleo de fritura na rede e galerias pluviais e não usar privadas como lixeiras.
Marcelo Morgado
Assessor de Meio Ambiente da Presidência da Sabesp
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